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Delírios de um Aedo sem Lira: Manifesto contra a solenidade frouxa e o otimismo compulsório
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O que resta da poesia quando o lirismo colide com a realidade? A arquitetura do afeto. O banquete do escárnio. A geopolítica do abismo. João Carlos da Luz nos entrega uma obra nua, sem verniz, na qual o riso de canto de boca torna-se ferramenta para dissecar o mundo. Entre ritmos e algoritmos, Delírios de um Aedo sem Lira é o mapa de quem aprendeu a navegar a imensidão sem abdicar da precisão do sentir. Ao assumir a voz de um aedo despido de sua lira, o autor encontra nos escombros do cotidiano — da geopolítica do abismo aos labirintos do Dasein, das ladeiras do Brasil aos descaminhos do mundo — a matéria-prima para uma resistência sensível. A obra estrutura-se em quatro movimentos que nos conduzem de um banquete do escárnio, onde a ironia serve como antídoto à solenidade frouxa, a uma investigação profunda sobre o tempo e as curas possíveis na condição humana. Percorrendo trajetórias que vão do Sul ao Nordeste, e de experiências pessoais às angústias globais, o autor disseca as contradições do mundo moderno com acidez e afeto. Como bem pontuam os prefaciadores Walter Pereiro e Amadeu Logarezzi, este livro é um convite a vivenciar o sentido de ser gente em tempos de pós-verdade. Entre poemas visuais que exigem mergulhos profundos — o escafandro que sustenta a obra — e versos que dialogam com a filosofia e a cultura pop, o autor prova que a poesia não é um adorno, mas uma potência afirmativa da vida. Mais do que um livro de poemas, Delírios de um Aedo sem Lira é um (con)texto que nos incita a sorrir diante das piadas de mau gosto da realidade. É um convite à lucidez que só o olhar atento pode proporcionar. Uma obra que, ao reconhecer o nosso ser-aí no mundo, transforma o luto da utopia em um gesto corajoso de continuar criando, existindo e, sobretudo, sendo humano.
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