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As senzalas da cidade: marcadores raciais entre negros roceiros (Bahia, 1940-1960)
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Miguel, analfabeto e roceiro, recebeu umas terras por estima como negro criado por uma fazendeira da região, mas teve suas terras tomadas. José, vulgo de noite, magarefe e preto matou um acompanhante que o chamou de negro imundo e escandaloso. Vanda e Nicinha, nos frequentes barulhos dos subúrbios, foram chamadas de negrinha ou de negra descarada. Cícero, lavrador, preto, foi assassinado em um jogo de capoeira nos fundos de uma casa. João, pardo, cabelos crespos, foi espancado em uma fazenda com um chicote de surrar cavalo. Casos como esses e tantos outros estão reunidos nesse livro costurados pelas tensões raciais que eles guardam. Roceiros morenos, pretos, pardos foram mapeados em um esforço de observar os sentidos raciais que circulavam no Brasil rural dos anos 1940 e 1950. Uma cartografia dos dispositivos discursivos que orientavam as hierarquias raciais que desumanizavam pretos roceiros. Aos pesquisadores das relações raciais e da história da população negra no Brasil, o livro pode ser uma boa alternativa nas reflexões sobre as desigualdades vividas, praticadas, reforçadas, legitimadas sobre a população negra. A repetição de imagens, valores, ideias, experiências comuns aos contextos escravistas décadas depois da abolição nos ajudam a identificar as heranças e permanências que se perpetuaram e que enfrentamos ainda hoje.
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